sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Quando o Professor entristece - Homenagem ao pupilo que se foi

Néia e o "filho" Fred  (foto retirada do album de Mariana)
Não sei quantas vezes, os professores escrevem o quanto é bom ser professor;
Nem quantas vezes eu mesma disse o quanto amo meu labor.
Que professor, eu também, trabalha muito, ganha pouco, mas se divirte em igual proporção.
Minhas risadas e meu sorriso são provas indeléveis da verdade em minhas palavras.
Outras vezes me viram agradecer aos acasos da vida que me fizeram tropeçar (...é eu vivo tropeçando...) na minha carreira.
Agradeço a tudo que aprendo, ao que desaprendo, ao estímulo a aprender mais ainda, a buscar novos caminhos, à felicidade de ver meus alunos se tornarem meus colegas, e mais ainda meus amigos de trabalho, aos grandes amigos que a profissão me trouxe, a doces pequenas surpresas do dia dia; enfim costumo agradecer a quase tudo.
E realmente sou muito grata.
Ao revés, hoje a professora vai falar de quando é muito ruim ser professor;
e não espere discursos inflamados por conta do salário, da disciplina, da indisciplina, do governo, de Paulo Freire, do MEC...
Os professores iguais aos pais têm muitos sonhos depositados na conta de seus pupilos
e lhes imputa a grande responsabilidade de muitas vezes realizarem seus projetos.
Da mesma forma que o pai se frusta e entristece quando não vê os frutos que almejou, da forma que planejou
da mesma forma os professores (os de verdade) também se entristecem quando o pupilo não se esforça, desiste, se acomoda, se distrai, perde tempo;
enfim, quebra o cronograma previsto e daí temos que torcer por um resgate ou ainda nos consolar trabalhando com outros pupilos, estimulando novas espectativas, sonhando com novos projetos...
Mas essa é uma tristeza ordinária, 
em qualquer profissão se vive com ela, todo labor tem seu ardor, seu lado amargo. 
Quando entramos na sala de aula já sabemos de antemão que nem todos e nem tudo serão como nós queremos. 
E ainda bem que é assim, senão, não seríamos professores, seríamos deuses, o que no meu caso, seria uma tremenda temeridade.
Tristeza real e extraordinária é quando aquele projeto, cumpre as expectativas, supera os entraves, cai, levanta, reorganiza, vai para lá e para cá, mas ao final está prestes a atender nosso anseio (a primeira parte dele - se formar). 
Ainda mais quando nos confere a honra e a felicidade de ser homenageado de sua turma, nos dá o título de madrinha, nos aninha, agradece.
E às vesperas do projeto se cumprir, Deus mostrando que não somos deuses, que temos apenas o direito de, estando vivos, sonhar, ele leva o pupilo, de súbido, sem qualquer aviso, preparação,  e leva às vésperas da formatura, quando ainda tínhamos tanto que aproveitar, tantas etapas a cumprir.
Esse é um lado triste da profissão que me escolheu. 
E é um lado lado triste que não tenho diploma para administrar. Acho que nunca terei.
Minha única sabedoria se cinge a acreditar que Deus é o Senhor e que ele sabe tudo que é melhor para todos nós, até quando nós mesmos não achamos assim. 

Que Deus e todos os seus anjos entreguem ao pupilo que se foi o canudo que não teve tempo de receber aqui na Terra. 

Professora Katia Farias

em homenagem ao pupilo Frederico

Um comentário:

  1. I
    "Deus, em sua infinita sabedoria
    nos deixa aprender tropeçando,
    nos dosa sempre a alegria
    e sob essa dosimetria
    seguimos nos alegrando..."
    II
    "Mas, para provar que existe
    para que disso não esqueçamos
    nos faz às vezes de triste
    para vencer quem persiste
    quem segue o caminho andando..."
    III
    "Assim, pois, o Onipotente
    a todos exemplifica
    e mostra veementemente
    mister se ter sempre em mente
    que o espírito vive e fica..."
    IV
    "Não fosse assim, o que pensar
    quando ele requer para si
    tais criaturas que mesmo ao criar,
    e esta, um futuro projetar
    sem seus igauis esperarem, este o leva daqui..."
    V
    "Oh Ser Onipotente,
    que a todos nós domina
    alivia o fardo ardente
    que de forma assim pungente
    às vezes nos desanima..."
    VI
    "E, ao levares um valor
    que até nos causa revolta
    nos dirime a imensa dor
    pela incompreensão do teu amor,
    nos ampara e conforta...”
    VII
    “A falta de compreensão
    que a todos nós assedia
    nos faz blasfemar em oração
    renegar, reclamar de montão
    esquecendo o quanto nos beneficias...”
    VIII
    “Por isso, então, pai amado
    pedimos por nosso amigo,
    que agora do outro lado
    despertará novos sentidos
    que passe a ser um iluminado
    ainda que a contra gosto tenha ido!!!”

    “Assim Seja...”

    ResponderExcluir